sábado, 6 de fevereiro de 2010

Um tal de amor ...

Uma amiga, desiludida com um romance, me mandou um e-mail. Desesperada, depois de relatar toda a sua história em detalhes, me perguntou:

- Dá pra entender esse amor? Por favor, me explique!

Respondi.

O amor é um não sei com cara de talvez. Nos seus melhores dias, ele faz cara de quem sabe.
É um sobe com vontade de descer. O amor tem uma velocidade que nos faz morrer de tédio. De dar sono, isso sim!
Isso daí que você está me perguntando é um desafio à etimologia.
É um misto de prazer e dor num momento que te faz querer ficar próximo quando a vontade é estar distante.

É assim...

O amor é querer a morte na solidão do teu quarto escuro e, ao mesmo tempo, clamar uma nova vida.
Quem sabe, uma vontade de começar tudo de novo.
É se entregar com aquele sentimento de levantar a poeira, repintar as partes feias e dar a volta por cima.
O amor é doação e reclusão. Ele fica no ponto exato entre a loucura total e a lucidez.
Entre o querer demais e o “deixa pra lá”.
O amor mora naquele lugar mais obscuro do nosso coração.

É mais ou menos como aquele poema de Cecília Meirelles. “Ou guardo dinheiro e não compro doce/ ou compro doce e não guardo dinheiro”, como dizia a poetisa.
O amor é ficar na dúvida entre ler Lord Byron ou Neruda. É, na realidade, Camões. Ou, talvez, Vinícius de Moraes nos seus dias mais inspirados.

O amor é música – seja ela qual for. É a mais bela canção que, nos momento mais tristes, se transforma na mais cruel das torturas.
É a lágrima que cai assim, do nada. Que cai, escorre pelo rosto e simplesmente some antes mesmo de cair no chão.
O amor é querer chorar no escuro. E sorrir na companhia dos amigos.

Esse sentimento – ora maldito, ora bendito – é a vontade de querer alinhar todos os planetas. É desafiar todas as leis.
O amor é o anseio de querer desvendá-lo. E só.

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