sábado, 13 de março de 2010
SER FELIZ...
Para mim ser feliz não consiste em sair todas as noites, beber até começar a trocar as pernas, falar coisas que ninguém entende e ser carregada para casa. Para mim ser feliz não é encontrar pessoas que me olham da cabeça aos pés, dizem o quanto estou linda e saem fazendo caretas cochichando com quem está do lado. Para mim, definitivamente, a felicidade não está em boates e bares cheios de gente, mas com cenas vazias e tristes. Não sou contra festas e comemorações, pelo contrário, amo dançar e lavo a alma na pista. Só não acho saudável tornar isso uma rotina, há momentos para tudo nessa vida.
Quando fico algum tempo sem sair à noite algumas pessoas comentam com os meus amigos: 'Tadinha, mas o que ela faz para se divertir?'. Pois eu vou contar para vocês o que a extraterrestre aqui faz quando quer esquecer do mundo, e sim, ser feliz. Assim como há dias que tudo o que eu quero é uma companhia agradável para tomar um sorvete ou um capuccino, sair para jantar ou simplesmente passar horas conversando sobre o assunto que me vier à cabeça, há outros que preciso ficar quietinha no meu quarto vendo um bom filme ou lendo um livro qualquer e viajando em suas histórias.
Quando me sinto desanimada, deito na minha cama, desligo as luzes e ligo o som no máximo. Certo que em cinco minutos eu vou levantar e dançar de um lado para o outro. Também não há nada melhor do que ficar com crianças. Conversar, brincar e ainda ouvir de uma delas 'como você é linda' ou 'você parece muito com a minha mãe'. Existe elogio melhor do que este?
Há tantas coisas boas para se fazer. Uma caminhada ao ar livre, alguém especial para ligar, um elogio pelo trabalho bem feito, uma mensagem de saudade, um dia cheio de tratamentos de beleza, um sorriso de bom dia, uma tarde de fofoca com as amigas, um dia de sol com praia,água de coco e surf, um dia de chuva com uma panela de brigadeiro,ter minha fámilia ao meu lado, um beijo de despedida, um abraço de reencontro... Saber que mesmo com tanta maldade e inveja espalhados pelo mundo, eu tenho amigos verdadeiros.
Há infinitos motivos para encontrarmos a felicidade em todos os cantos, em cada lugar que estivermos. Basta que os nossos olhos saibam reconhecê-los. E mais: cada um sabe o que o faz feliz. Certamente as minhas razões para sorrir não são as mesmas suas, do fulano ou do cicrano. Portanto, não perca o seu tempo sentindo pena por eu ter perdido a última festa, o último lançamento ou grito da moda. Não se preocupe em me entender, você não vai, eu sou um ET, lembra? Mas relaxe, eu sei o que me faz feliz... E de mim, eu sei cuidar bem.
Os outros...
Podemos decepcionar nossos pais quando fazemos algo que eles julgam errado, magoar um amigo quando falamos sem pensar, desapontar o namorado quando não conseguimos cumprir o que prometemos. Mas nenhuma desilusão é maior do que a de não agir de acordo com o que nós mesmos esperamos de nós. E a nossa consciência é um juiz implacável. Perturba nosso sono, embaralha nosso pensamento, cutuca nossa alma. Não nos deixa a sós sequer por um instante e faz questão de nos relembrar constantemente dos nossos equívocos. Ao menos, até que a gente se mova e os conserte.
Na medida em que afastamos nossos fantasmas, absolvemo-nos de nossas fraquezas e defeitos e aceitamos a nós mesmos exatamente como somos nos tornamos livres. Livres para sermos o que queremos ser.
Quando digo que pouco me interessa o que 'os outros' pensam eu falo sério. Não deixo que comentários maldosos e fofocas tolas me impeçam de fazer o que eu quero, o que me faz bem. Confesso que adoraria que todos me enxergassem como eu me vejo no espelho todos os dias, por outro lado por mais que eu conheça bem os meus princípios, nem eu mesma sei interpretar o que ele reflete. Às vezes sou menina, noutras, raras, mulher; às vezes feliz, noutras, talvez não tão raras, triste; e assim apenas começam as minhas contradições. E isso não me incomoda.
Aprendi a não repreender a parte criança de mim, doida por doces e chocolates, que não percebe o passar das horas brincando atirada no chão ou em qualquer outro canto. À minha metade madura dei carta branca para conviver, festejar, dançar e fazer o que bem entender porque comigo ela tem respaldo suficiente para bancar com seus atos. Ao meu lado feliz permiti que distribua os sorrisos que bem entender, ao triste, liberei as lágrimas. Para confortar e aquecer as noites de inverno que vêm por aí, livros sérios, livros leves, livros para todo o tipo de humor. Assim, sou triste na minha alegria, alegre na minha tristeza.
O que 'os outros' vão pensar? O que importa é que eu... eu estou em paz.
Mocinhos e/ou bandidos...
O menino que se apaixona pela namorada do melhor amigo, a garota que ganhou a bolsa de estudos que todos ralaram muito para disputar ou aquela viagem que a turma toda estava doida para ir. Duvido que alguém nunca tenha posado de malvado, mesmo jogando limpo, mesmo sem querer.
E parece fácil condenar quem 'roubou' a namorada do fulano ou a oportunidade da vida do outro, como se tudo fosse nada além de mercadoria disponível numa série de prateleiras. O que poucos percebem é que além de coragem para assumir um amor proibido ou alçar vôo para uma nova vida, é preciso caráter. Pelo menos para fazê-lo da melhor forma, que não é precisamente a que vai agradar a todos e sim a mais justa. Engana-se quem pensa que estas decisões não são sofridas. Porém, não é porque eu amo e sou correspondido, ou porque estudei parar tirar a melhor nota que estou passando alguém para trás.
Caráter também é indispensável para quem chega em segundo lugar. É preciso saber aceitar que a vida é cheia de vitórias e derrotas, e independente do resultado sair de campo de cabeça erguida. Nem tudo é como imaginamos. E, sem querer posar de conformista (mas já o fazendo), as coisas sempre ficam do melhor jeito para nós. Mesmo que na hora fique complicado de notar.
Claro que desconsidero totalmente quem faz suas malvadezas em sã consciência. Não sou tão ingênua a ponto de acreditar que tudo são flores e todos são cheios de boas intenções. Se existe terreiro de macumba é porque de fato alguém deve passar por lá. Todavia, acredito que bons ou ruins todos cometem erros e estão bem longe de ser perfeitos.
Confesso que me assusta a idéia de ser vilã na estorinha dos outros. Mas sei que é algo que preciso estar preparada para encarar. O que eu não aceito é posar de malvada por intrigas ou golpes baixos, mesmo tendo a razão do meu lado. Também é estreita a linha entre quem é mocinho ou bandido, e tem gente que sabe virar esse jogo muito bem.
O que não posso entender...
A verdade é que nos preocupamos tanto em fazer acontecer que não observamos a vida passar enquanto acertamos os últimos preparativos. São tantos os planos que terminam ou começam com as surpresas que o destino nos apresenta. São tantas as decisões que parecem desconexas no momento em que as tomamos, mas que com o passar do tempo entendemos que não foi uma escolha e sim a única alternativa que podíamos seguir naquela situação. Tudo ao redor nos levava até ela. Tudo que estava nublado e só o tempo foi ou é capaz de clarear.
Já me preocupei demais com questões que não mereciam nem sequer que eu arcasse por um milímetro as minhas sobrancelhas. Já desconfiei. Já procurei encontrar o que nunca quis ver. Já me senti traída. Não por amor, mas por lealdade. Não por atitudes, mas pela falta delas. Já acreditei no que nunca existiu. E agora vejo que isso tudo foi em vão. Talvez a minha falta de experiência tenha me levado a me aborrecer com coisas tão pequenas. Talvez não.
Hoje não quero mais saber se estão todos falando de mim ou se nem sabem que eu existo. Não importa o que dizem ou deixam de dizer sobre ele, sobre mim, sobre nós. Não interessa se quem se diz meu amigo gosta realmente de mim ou é só fingimento. Não quero saber o que fulano acha de mim, se beltraninha não vai parar de dar em cima do meu amor, ou ainda se a outra não cansou de esfregar as declarações mais sem fundamento na minha cara. Não procuro mais saber o que não devo, o que não me faz bem.
O melhor chega até nós mais cedo ou mais tarde. No tempo certo. Não há preocupação que acelere o que está predestinado a acontecer. A recompensa de quem confia, de quem sabe que cumpriu o seu papel para estar onde está, sempre chega. Portanto, não deixe que nada desvie sua atenção ou seu caminho. Siga o rumo traçado pelo seu coração. E mesmo que nem tudo aconteça da forma que você gostaria, não chore, não desista. Não se culpe. No final você vai perceber que tudo sempre fica do melhor jeito para nós. Até quando isso parece simplesmente incompreensível.
Se for assim, não quero amadurecer...
Desde pequeninha eu sonhava com os contos de fadas, amores proibidos, possíveis, impossíveis, realizados. Com apenas três anos eu já sabia a estória da Cinderela na ponta da língua, sentava num banquinho, cruzava as pernas, abria o livro de ponta cabeça enquanto fingia que o lia para os meus bichinhos de pelúcia. Com doze eu delirava com um amor platônico. Com quinze eu esperava encontrar meu príncipe encantado numa esquina qualquer da vida, trocar olhares, me apaixonar à primeira vista e viver feliz pra sempre.
Cresci um pouco, conheci pessoas, lugares, opiniões. Percebi o quanto é fácil construir uma vida cômoda, sem problemas, sem desafios, sem amor. Por sorte antes de me deixar levar, compreendi que de nada vale viver sem sentir calafrios pelo corpo, sem adrenalina, sem felicidade. Lógico que sei que contos de fadas não acontecem todos os dias na vida das pessoas, mas acontecem. Talvez os príncipes e as princesas não sejam tão perfeitos como nas fábulas, ou o 'felizes pra sempre' omita as adversidades que vão surgir pelo caminho, mas confio que o amor possa enfrentar tudo o que quiser.
Chame de ingenuidade ou criancice. Diga que eu sou nova, que ainda vou me decepcionar muito a ponto de desistir dos meus sentimentos, sonhos e ideais. Fale o que quiser, não me importo, mas também não entendo, não escuto.
Não me serve uma vida mais ou menos. Não me adianta um bom emprego, um amante qualquer. Puxa, essa é a minha vida. É a minha única chance de arriscar, de tentar, de ser feliz. Quero viver com toda a plenitude que eu conseguir, quero um coração puro o suficiente para valorizar cada pequeno detalhe dos meus dias. Quero amar com todas as minhas forças. Afinal, só nos braços do meu amor que eu encontro minha verdadeira paz. E não há outro lugar no mundo em que eu queira estar.
Se com o passar do tempo eu for me tornar uma amargurada sem fantasias, se eu for deixar de acreditar nos meus sonhos.. não quero o tempo passe. Quero congelar esse momento pra sempre. Quero estar com o coração totalmente preenchido, com o peito repleto de suspiros, com o estômago cheinho de borboletas exatamente como agora.
Se com alguns anos e aprendizados a mais eu for perder o que eu mais gosto em mim, sinceramente, não quero amadurecer.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
O que sou ...
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Dando uma olhada rápida pelo meu quarto chego à conclusão de que de fato devo ser um pouco mais terna do que outras meninas da minha idade. Tudo é rosa, delicado e tem um toque infantil. E não vejo perspectiva de que isso mude com o passar dos anos. As pessoas mudam, crescem, erram, aprendem e acertam, mas acredito que a nossa essência está imune a qualquer amadurecimento.
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E eu sou assim. Viciada em cremes, maquiagens, aromas e perfumes. Apaixonada por literatura que retrate o universo feminino, doida por poesias que falam das coisas do coração. Mas com uma vaidade e uma feminilidade que não estão em busca de uma perfeição surreal. Não exijo de mim mais do que posso ser. Não mais. Meu lado mulher não busca agradar ninguém que não seja eu mesma. Eu me cuido para mim, me perfumo para mim, me arrumo para mim. Pode me chamar de egoísta se quiser.
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Sei que soa piegas, e na verdade é: sou daquelas que acredita no amor, ou melhor, naquele amor romântico de romances e filmes. No amor mais forte do que qualquer obstáculo, que pode tudo, supera tudo. Entretanto, uma rude contradição me fez um verdadeiro desastre em termos de relacionamentos. Nem o meu namoro do jardim de infância deu certo. Mas como sou uma romântica incurável acredito que ainda vou encontrar meu final – ou início – feliz.
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Sou louca por risadas. Melhor ainda se eu puder unir a minha sede por gargalhadas com horas e mais horas dançando. E não importa se para isso a minha maquiagem escorra, meu cabelo se espalhe pelo meu rosto e eu pague um mico daqueles. Danço como se ninguém estivesse me olhando. Portanto, não me convide para ir a uma festa se você pretende ‘ficar na prateleira’, intocável. O tédio vai me levar correndo para casa.
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E no meu lado festeiro, talvez exista alguma esperteza. Involuntária – garanto – infelizmente. Não olho quando chamam, vou para onde quero, quando quero, com quem quero e não faço nada que eu não queira muito. Não adianta insistir.
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Não insista também em inventar pré-conceitos para mim, em me julgar sem me conhecer. Puxa, nem eu sei como eu sou. Tente me conhecer primeiro, ou melhor, desista. Esqueci de contar que, além de tudo, você nunca vai saber que ação ou reação esperar de mim. Sou ‘levemente’ imprevisível.'
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Um tal de amor ...
- Dá pra entender esse amor? Por favor, me explique!
Respondi.
O amor é um não sei com cara de talvez. Nos seus melhores dias, ele faz cara de quem sabe.
É um sobe com vontade de descer. O amor tem uma velocidade que nos faz morrer de tédio. De dar sono, isso sim!
Isso daí que você está me perguntando é um desafio à etimologia.
É um misto de prazer e dor num momento que te faz querer ficar próximo quando a vontade é estar distante.
É assim...
O amor é querer a morte na solidão do teu quarto escuro e, ao mesmo tempo, clamar uma nova vida.
Quem sabe, uma vontade de começar tudo de novo.
É se entregar com aquele sentimento de levantar a poeira, repintar as partes feias e dar a volta por cima.
O amor é doação e reclusão. Ele fica no ponto exato entre a loucura total e a lucidez.
Entre o querer demais e o “deixa pra lá”.
O amor mora naquele lugar mais obscuro do nosso coração.
É mais ou menos como aquele poema de Cecília Meirelles. “Ou guardo dinheiro e não compro doce/ ou compro doce e não guardo dinheiro”, como dizia a poetisa.
O amor é ficar na dúvida entre ler Lord Byron ou Neruda. É, na realidade, Camões. Ou, talvez, Vinícius de Moraes nos seus dias mais inspirados.
O amor é música – seja ela qual for. É a mais bela canção que, nos momento mais tristes, se transforma na mais cruel das torturas.
É a lágrima que cai assim, do nada. Que cai, escorre pelo rosto e simplesmente some antes mesmo de cair no chão.
O amor é querer chorar no escuro. E sorrir na companhia dos amigos.
Esse sentimento – ora maldito, ora bendito – é a vontade de querer alinhar todos os planetas. É desafiar todas as leis.
O amor é o anseio de querer desvendá-lo. E só.
Há várias pequenas razões que me fazem perder o encanto por alguém, mas digo sem titubear que falta de personalidade é a principal. Não me refiro apenas a ações, gosto de gente com opinião própria, que defende seu ponto de vista, que briga, bate pé. Gosto de gente que não se deixa levar pelo mais fácil.
É muito comum quando alguém se interessa por nós querer nos agradar de todas as formas e, principalmente, procurar loucamente pontos em comum. Muitas vezes abdicando de suas preferências pra satisfazer as nossas. Credo. Tenho tique nervoso só de pensar no assunto. Em menos de dez minutos de conversa o garoto alternativo passa a ouvir pop e usar gel no cabelo, a paty descobre que não vive sem rock e que nunca tinha percebido como roupas pretas emagrecem.
Ah me poupe. Não preciso de confetes. Eu quero debates, confusão, zueira. Quero rir das músicas bregas que ele escuta, quero cantar e dançar as minhas cafonérrimas fazendo caras e bocas pro meu amor. Quero debochar daquela calça velha que já anda sozinha ou da mania dele de não usar chinelo. Quero fazer bico quando ele hesitar em fazer o que eu pedi. Quero incomodar de tanto fazer piadinha quando ele tiver mal humorado e morrer dando gargalhadas quando ele correr atrás de mim.
Quero aprender com as nossas (des)afinidades. Não quero ser uma maquininha de admirar, que acha que tudo ele gosta ou tem maravilhoso só porque está apaixonada. Não quero que ele babe por mim, que ache que estou sempre certa. Quero que ele me ensine a perceber quando estou errada, que me puxe as orelhas quando eu pisar na bola.
Se ele quiser me achar a mais linda, mais querida, mais maravilhosa de todas, sem problemas. Pra mim ele também sempre vai ser o melhor. Mesmo que acorde com o pé esquerdo, que esteja estressado, que não goste de melancia, que ria da minha bolsa rosa ou dos meus livros bobinhos. Mesmo assim. Gosto é gosto, não é? E viva as diferenças!.
